Um dia antes
O começo
As 3:15 da manhã acordei com dor, fui ao banheiro, voltei pra cama, não consegui dormir. Fiquei tentando achar uma posição, mas não achei nenhuma que fosse confortável, fui de novo ao banheiro, voltei pra cama, continuava desconfortável, levantei. Talvez por causa do sono eu não conseguia entender muito bem o desconforto, sabia que o que senti no carro tinha sida uma contração mas, de verdade, achava que estava longe de entrar em trabalho de parto. Sentei no sofá, me senti melhor, liguei a TV mas não assisti nada, comecei a pensar na Carol e na sua bebê, adormeci sentada. As 4:20 a bolsa estourou, mas só percebi quando já tinha molhado todo o sofá, fui pro banheiro, fiquei olhando a água escorrer pelas pernas e pensei: “Mas já? Hoje ainda é dia 13.” Desde o início eu preparei meu psicológico para o final do mês e mesmo com a DPP para 09 de novembro eu falava pra todo mundo que ainda estava de 39 semanas. Voltei pro sofá e dessa vez deitei e tentei dormir um pouco e descansar pois sabia que podia ser só o começo de uma longa jornada. Não consegui dormir e não consegui ficar deitada, era extremamente desconfortável. Sentei na bola (daquelas de fisioterapia) fiz uns exercícios pra relaxar...
Será que tinha mesmo chegado à hora? Será que eu estava preparada? Será que eu ia dar conta do recado? Por um momento bateu um medo e uma insegurança que até então eu não tinha sentido. Eu li, pesquisei, ouvi e assisti tudo que eu pude sobre parto, me preparei durante nove meses, comecei a lembrar das reuniões do Gama, das conversas da lista, dos relatos de parto, das conversas como a minha obstetra querida e do sorriso contagiante dela. Me lembrei também da voz calma da doula e acalmei, sabia que tinha do meu lado pessoas que me ajudariam e me apoiariam. Acho que sim, estava preparada, se é que se pode dizer isso. Me sentia preparada pra aceitar o processo, pra me deixar levar e pra viver a experiência mais intensa de toda a minha vida.
TP engrenando
As dores começaram aumentar e as 7:00 acordei o Dé porque estava com fome e sabia que precisaria de energia pra agüentar as próximas horas. Lembro dele com uma carinha de sono sorrindo e dizendo “chegou a hora baixinha?” Me deu uma vontade chorar de felicidade. Ele levantou preparou um café e a partir daí as dores já estavam bem mais fortes. Comi mamão e torradas com manteiga. Opa! O negócio ta aumentando. Fui pro chuveiro, que delícia a água quente caindo na lombar. O Dé ligou pra médica que deu algumas instruções e pediu pra ele ligar pra doula quando as contrações estivessem mais regulares. Sai do chuveiro, voltei pro sofá. A contração vinha e ele fazia massagem na lombar, fui mostrando pra ele onde e como ficava mais confortável. Nossa que alivio! Mais ou menos dessa hora em diante perdi a noção do tempo, não olhei mais no relógio e entrei na partolândia. Lembro dele ligando pra doula que me contou depois que soube que era hora por que me ouviu gritando no fundo..rs. As contrações aumentando, me dava vontade de fazer xixi, acabei vomitando tudo que tinha comido. De olhos fechados, lembro dele explicando pra doula o caminho de casa e dela sentando ao meu lado, calma, me pedindo pra relaxar, “deixa a contração vir, relaxa”. Eu estava me sentindo totalmente apoiada com o Dé ao meu lado, mas ouvir a voz tranqüila dela me deixou ainda mais segura. O medo e a insegurança haviam desaparecido. No quarto da neném eles montaram e começaram a encher a banheira, eu de olhos fechados. Cada vez que começava uma contração ele vinha correndo na minha direção, fazia massagem, me dava a mão. A médica chegou e pediu pra fazer um exame de toque, 4 centímetros, “ta ótimo” ela disse. Eu tava loca pra cair na água. Banheira cheia, outra sensação maravilhosa. O Dé continuou de lá pra cá e sempre que vinha a contração vinha correndo me abraçar. A doula teve que sair, lembro dela explicando pra ele que voltaria mais tarde e que viria alguém pra ficar no lugar dela, não achei ruim nem fiquei apreensiva, eu estava totalmente tranqüila com ele ao meu lado. A doula substituta chegou não sei que horas, em uma das vezes que abri o olho, ainda dentro da banheira, ela estava ali ao meu lado, serena, tranqüila, e depois que o Dé falou “pode tirar foto a vontade, ela vai brigar comigo se eu não tirar nenhuma foto”..rsrs ela começou sutilmente bater fotos.
O expulsivo

A equipe foi embora e ficamos nós três, juntinhos, eu e ele exaustos e ao mesmo tempo eufóricos. A casa envolta por aquela energia maravilhosa. A cama desarrumada, ela dormindo como um anjo, de gorrinho na cabeça, no meio do edredon que parecia um ninho. Dorme minha pequena, descansa porque muita coisa nos espera.
Agradecimentos
A AC, ao GAMA, a lista e todas essas mulheres maravilhosas que me mostraram um mundo novo.
A Carol e sua gorduchinha, vocês foram imprescindíveis no nosso processo de gestação e parto. É maravilhoso fazer parte da vida de vocês e poder dividir tantos momentos, conquistas e felicidades.
Aos meus pais pelo apoio incondicional e mesmo sem saber dos planos de parto em casa por não terem me julgado. Por serem sempre tão sutis e delicados, mesmo quando não concordam plenamente com as minhas decisões.
A equipe pelo carinho e compreensão. Por ter acreditado em mim e nos conduzido de forma tão amorosa e respeitosa.
Ao meu querido companheiro, simplesmente não tenho palavras para expressar tamanha admiração. Você foi sempre a primeira pessoa a me apoiar e acreditar. Pariu junto comigo. Foi fundamental e maravilhoso em todo o processo.
A minha neném por me proporcionar a experiência mais intensa e sublime de toda a minha vida. Por ter me escolhido como mãe. Por ter mudado minha vida e minha alma!